Sorry, I'm not sorry
Ele não falou comigo. Eu não falei com ele. Continuamos sem nos falar, e bem, não por quanto tempo isso vai durar. Eu juro, não estou errada, estou? A única coisa que eu fiz foi contar a verdade, não era o que ele queria saber, quem era? Eu o contei. Ok, eu fiquei irritada, mas não fui grossa, apenas breve, foi ele quem veio insinuando coisas sobre mim. Ciúmes? Será que isso se trata de ciúmes? Ok, eu não importo, só tenho certeza de que é ele quem está errado, então eu não vou pedir desculpas, e também não serei a primeira a ceder. De maneira nenhuma. Tudo bem, admito que tenho vontade de falar, mesmo que seja pra xingá-lo, jogar os cachorros nele, mas eu não posso. Já criei mil diálogos na cabeça, no qual digo algumas verdades pra ele, mas não sei exatamente se é algo que eu falaria, de verdade. É só que, é péssimo ficar sem falar com ele, um vazio, sei que ta faltando alguma coisa, e isso me irrita ainda mais. Droga! Passei grande parte do dia me perguntando: "Será que ele se sente da mesma forma que eu, será que ele se culpa ou acha que eu quem fui errada?", eu sinceramente não sei. Não sei muitas coisas sobre ele, na verdade, é meio injusto, costumo contar muitas coisas pra ele, tudo bem que ele sempre me pergunta sobre tudo, já eu prefiro esperar até ele se sentir à vontade, mas parece que ele nunca está. Ele é tão egoísta e detestável, qual é?! Eu passo o dia, a noite e grande parte da madrugada conversando com ele, e vez ou outra ele vem me dizer que não tem amigos, que não tem ninguém, qual a definição de amigo que ele tem? E eu fico quieta na minha, com o coração magoado, ele diz algo como: "Ok, muito obrigado por chamar de uma qualquer, uma conhecidinha", sinceramente não sei o que ele quer de mim, age como se fossemos amigos, melhores amigos, amigos incríveis e depois vem dizer que está sozinho, e quanto à mim, droga? Mas tudo bem, eu sempre fingo que tá tudo bem, sem problemas, mas agora ele vai bancar o dono da verdade, o defensor: "Ele tem namorada, e ela é minha prima", eu não consigo esquecer, pode parecer uma besteira, uma coisinha de nada, mas essas palavras não me deixaram dormir, entende? Fiquei remoendo, remoendo, sei lá, por mais que eu fale merda às vezes, e que eu quase sempre faça as coisas que falo, eu nunca faria isso, de roubar o que é dos outros, ok, outras coisas sim, mas não com pessoas, não quando se trata do namorado de alguém, eu nunca, sei lá, o faria largá-la por mim, é completamente ridículo, isso não faz o meu perfil, é repugnante me imaginar fazendo algo parecido. E nossa, ele falou como se eu fosse fazer aquilo, como se eu fosse uma dessas garotas que saem por aí pegando Deus e o mundo, ele sabe, sabe que não sou assim, ou eu achava que sabia. Caralho, eu só fiquei com 7 caras em toda a minha vida, e o meu primeiro beijo foi a quatro anos atrás. O que ele me disse, o que ele pensou sobre mim, acho que tive o direito de ficar irritada, de me magoar, de ser grossa. Eu posso está fazendo drama, mas é que essa droga de assunto não sai da minha cabeça, e quando eu to quieta, é disso que eu lembro, quando to no banho, quando deito pra dormir, quando eu olho pra uma foto dele, cara, não consigo não pensar nisso, ta me consumindo, eu to com a consciência pesada, mas do que quando eu peguei dinheiro escondido da minha mãe, ou quando fiz coisas que não gosto de recordar, eu to me sentindo mal, por algum motivo que eu não sei. As pessoas falam que quando você ama alguém, deixa o orgulho de lado e corre atrás, e sou o exemplo vivo do quanto o orgulho pode afastar as pessoas, mas eu simplesmente não posso, estaria exterminando minha pouca dignidade, e quando digo pouca, bem, não foi eu que a fez diminuir, algumas pessoas fizeram isso por mim, mas não importa. Eu posso ser paciente, posso esperar ele falar comigo, e eu estarei aqui pronta para desculpá-lo, talvez lhe diga algumas coisas, não muitas, mas o perdoaria com certeza, o que eu não posso, e nem vou é procurá-lo.
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#day22
"It's just a crush"
Ok, tudo bem, eu posso estar exagerando, mas vejamos, há coisas que você não quer contar para ninguém, certo? Coisas que você prefere guardar pra si mesma, até simplesmente esquecer, superar, coisas que não fazem a menor diferença na sua vida. Então, quando você se nega a contar algo à alguém, não é porque você não quer simplesmente que ela não saiba, mas talvez porque você saiba que talvez não vá mudar em nada, e em alguns casos, talvez, só piore, certo? Certo. Então, por que as pessoas têm a mania de querer remoer as coisas, por que elas não conseguem entender quando você diz: "Ah, esquece", ou então "Deixa pra lá", às vezes é verdade, às vezes você realmente deve esquecer, deve deixar pra lá. Eu confiava nele, confio, não sei, eu o contava tudo que podia, tudo que eu achava que devia, e ele nunca foi de muitas palavras, eu também não, mas ele era uma das poucas pessoas que me passavam confiança, então simplesmente saia, não era algo que eu forçava. Tudo bem. Mas ele estragou tudo. Ok. Talvez eu esteja exagerando de novo, mas eu estou magoada, sabe? Estou profundamente irritada, não esperava isso. Ele tinha que fazer aquelas perguntas, e me deixar assim, primeiro ele disse: "Verdade ou Consequência?", então eu respondi verdade, e ele continuou: "Sei que você não quis me dizer antes, então, você vai ser meio que obrigada a responder agora. Quem é o cara que você tem uma queda?". Era só isso, uma queda, nada mais. Como quando você passa por alguém na rua, e seu coração dispara, e você sabe que nunca o verá de novo, ou o seu professor, no meu caso, era um garoto que eu vi na praça algumas vezes, ele era bonito, era alto, tinha o cabelo meio arrumado, meio bagunçado, mas nunca me olhava, e tinha namorada. Eu tinha uma queda por ele, mas não passava disso. Eu podia ter mentido, entende? Podia ter dito qualquer outro nome idiota, mas aquilo fora uma afronta, e eu não tinha medo disso. Foda-se. E eu disse, respondi, fui sincera, como ele não tivera sido durante o jogo, aliás, como ninguém tivera sido, todos sempre mentiam, burlavam as respostas, e até eu algumas vezes, mas dessa vez, falei a verdade, disse o nome dele, simples. Por um momento pensei que as coisas não passariam disso, mas não, ele quis me irritar ainda mais. "Eu sei quem ele é. Ele tem namorada. E a namorada dele é a minha prima." Digeri suas palavras. O que ele queria dizer? Quem ele pensava que era? Quem ele pensava que eu era? Isso foi totalmente ridículo, talvez mais ridículo do que uma garota ter uma quedinha por um cara comprometido. Mas cara, ele me conhecia, bom, era o que eu pensava. O que ele achou? Que eu iria armar um plano pra terminar o namoro dos dois, ia roubá-lo pra mim, fazer com ele traísse a namorada? Ele achava que eu era uma destruidora de lares, de casais? Como ele pôde pensar nisso por um milésimo de segundos que seja? Eu não sou assim, ele deveria saber. Pode parecer drama, mas eu fiquei chateada, eu estou. Foi como se ele estivesse me xingando dos piores nomes. Foi uma das piores humilhações que eu já passei. E não consigo tirar da cabeça as coisas que ele disse, elas estão rondando aqui, me lembrando de tudo que ele insinuou sobre mim. Sou assim, as coisas pequenas, os detalhes, as palavrinhas, ficam todas guardadas dentro de mim, remoendo. E eu disse: "Ta, eu sei, e não estou falando nada". Ele riu. Eu disse: "Você não queria que eu respondesse?". Ele disse que sim. Eu disse: "Então, pronto". Ele disse: "Beleza". E foi isso. Eu queria dito mais coisas, queria ter perguntado o que ele queria dizer com aquilo, mas eu não consegui, eu estava muito surpresa, tentando engolir. Me pergunto se ele se sentiu mal. Me pergunto porque ele disse aquilo. Ele estava protegendo a prima de alguém que queria estragar o relacionamento deles? De mim? Não nos falamos mais depois disso, não exatamente. Não vou procurá-lo, e tudo bem se ele não me procurar, eu não fiz nada de errado, e nem faria. Que droga, é só uma quedinha, não um penhasco, eu não estou apaixonada por ele, não é nada disso, nem nada parecido, nós nunca nem nos falamos, ok, isso é tão infantil, mas é só uma quedinha. Uma porra de uma quedinha.
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#day21
Free Again
Hm, sinto muito, estive afastada por um tempo, eu sei, mas apesar de não fazer nada, digamos que ando muito ocupada, e muito cansada também. Bom, devo dizer que depois da carta que escrevi para minha mãe, as coisas melhoraram um pouco -tudo bem, bastante-, também devo dizer que ela me deixou ir à casa dos meus amigos, e apesar de não ter durado muito, me fez muito, muito bem. Durante todos esses dias, eu estive pensando se tudo o que eu precisava era um relacionamento, se era isso que eu queria, era o que eu precisava, e sabe, minha conclusão foi que não, não preciso de nada disso, não preciso de um namorado, preciso sim de um amor, mas não desse jeito, amor não se resume a isso. Percebi que eu só tenho 15 anos, e ainda tenho a vida inteira pela frente, e tudo que eu quero agora é me divertir, ir a festas, beber escondido com os amigos, beijar algumas bocas, vestir o que eu quero sem me preocupar, eu não quero alguém pra andar de mãos dadas, pra me aquecer no frio, pra sair por aí que eu tenho alguém, não preciso disso, sempre foi uma ilusão. Tudo bem, eu estava animada no início, até achei que pudesse dar certo, que eu gostava dele, na verdade, eu gosto, mas não estou pronta pra isso, é muita pressão pra mim, simplesmente não posso. E também tem essa: ele não está pronto pra mim. Ok, eu não sou tudo isso, não sou nada disso, é só que ele não conseguiria carregar o fardo que eu sou, e não estou colocando a culpa em mim, é que eu sou um problema, sou complicada, cheia de detalhes, ele pode ser inteligente, mas eu sou um mistério, sou mais do que comprar umas flores, uns chocolates e levar pra sair, eu sou chata, e na maioria das vezes nem sei o que eu quero, eu gosto de palavras bonitas, mas ele sempre entendeu errado, gosto de ser pega de surpresa, embora eu odeie surpresas, gosto de ouvir coisas fofas, embora eu odeie essas coisas de muito romance, entende? Eu sou cheia disso, e ele não queria me entender, só queria me ter. É difícil explicar nossa situação, mas eu não era a garota certa pra ele, assim como ele não merecia alguém tão cheia de mistério como eu. Não daria certo. Eu não teria paciência. Muito menos eu. Que diabos de garota só consegue dormir em horas exatas? 22:16 não, 22:30. 00:47 não. 01:00. Eu sou o problema, e ele não era a solução. Então... Eu caí fora. Ok. Demorei um pouco pra perceber isso, demorei muito pra me convencer disso, demorei muito pra contar a ele, mas, hm, antes tarde do que nunca. Agora eu me sinto melhor, sabe? Livre de novo, como eu sempre fui.
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#day20
After the strom, the sun is rising
Não sei exatamente o que aconteceu, mas me sinto mais leve agora, na verdade, acho que sei o houve. Coloquei tudo pra fora, não tudo, exatamente, mas as coisas que mais me incomodavam. Passei muito tempo tentando convencer a mim mesma que essas coisas não me importavam, que eu podia ligar o foda-se e estava tudo bem, às vezes eu até conseguia esquecer, conseguia rir e fingir que nada me preocupava, mas quando eu colocava a cabeça tudo estava de volta. Não costumo por as coisas pra fora, não na forma de desabafo, normalmente eu dou alguns berros, solto uns palavrões e meia dúzia de desaforos, mas nada como dizer como eu realmente me sinto. É muito difícil pra mim, entende? Falar sobre meus sentimentos, meus problemas, não gosto muito de conversar, prefiro o silêncio, prefiro tentar resolver as coisas sozinha, não gosto de encher ninguém com meus problemas, vai que elas acham bobos? Vai que elas tenham coisas mais sérias e importantes pra resolver? Vivo com medo de incomodar as pessoas. Andava tão pesada, e vazia ao mesmo tempo, tão triste e pra baixo, nada me alegrava, eu não tinha vida, nem vontade de sorrir, as coisas iam de mal a pior aqui dentro de casa, e com meus amigos distantes, eu não sabia o que fazer. Uma falta de algo que eu não sabia o quê, uma carência de abraço, de afeto, de afagos, me pergunto se ninguém conseguiu perceber isso, isso me faz acreditar que sou realmente impossível de se entender. Fico feliz de ter colocado pelo menos uma parte de tudo que estava me tirando o sono pra fora. Ainda preciso de alguns ajustes, tem coisas dentro de mim que ainda precisam sair, mas preciso ir com calma.
Hm, é bom voltar a falar com sua mãe depois de tantos problemas, é bom saber que agora ela sabe como eu me sentia, por algumas folhas de papel, eu sei, mas o que posso fazer se todas as vezes que tento expressar meus sentimentos parece que minha garganta fecha, e não sai nada? Espero que algumas coisas mudem agora, espero que ela procure tentar me entender mais. Bom, é isso, a primeira vez em muitos dias que me sinto, sei lá, feliz?
Hm, é bom voltar a falar com sua mãe depois de tantos problemas, é bom saber que agora ela sabe como eu me sentia, por algumas folhas de papel, eu sei, mas o que posso fazer se todas as vezes que tento expressar meus sentimentos parece que minha garganta fecha, e não sai nada? Espero que algumas coisas mudem agora, espero que ela procure tentar me entender mais. Bom, é isso, a primeira vez em muitos dias que me sinto, sei lá, feliz?
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#day19
"You're the one that I love and I'm sayin' goodbye"
As coisas não andam nada bem aqui em casa, na verdade, elas nunca foram, mas eu estou ficando tão farta. Não sei o que fazer, é comum você brigar com seu namorado, ou até com seus melhore amigos, mas e quando o problema está na família, pra onde se deve correr? Quando tratasse de família, sempre procuro pensar que há outros piores e menos estruturadas que a minha, costumava melhorar, mas parece não funcionar agora, cada um sabe do tamanho do seu problema, então, não importa o quanto o meu seja menor e aparentemente menos traumatizante, não deixa de ser um problema, e meu. O engraçado é que eles acham que podem consertar todos os danos agora, é sempre assim, eles só tratam das minhas doenças quando a dor é quase palpável, esperam até o último segundo, mas não sei se dessa vez possa ter cura, ter volta, não pode exigir da sua filha de 15 anos, que você nunca teve uma única conversa de mais de 2 minutos, que ela passe a contar todos os seus problemas, não pode querer que ela aja como se fosse sua melhor amiga, porque não dá, não mais. Passei anos tentando agradar minha mãe, sendo uma garota dedicada, estudiosa, fiz tudo que pudi pra fazê-la satisfeita, fazer com que se orgulhasse de mim, mas nunca era bom o suficiente. Então eu cansei, talvez tenha sido algo de um dia pro outro, talvez tenha levado um tempo, ela não perceberia de qualquer maneira. Eu parei de me importar, e me afastei, parei de tentar ser a garota nerd, a popular, de praticar mil esportes, de dançar em festas, de ir à festa, parei de fingir simpatia, mas ela não notou. Ela me afastou ainda mais, me mandando para uma república, para que eu estudasse num colégio federal, -ok, um colégio federal, é melhor, mas eu só tinha 14 anos- eu fiquei sozinha, fui totalmente contra a minha vontade, passei dias difíceis por lá, depois eu tive a oportunidade de voltar, de estudar em um colégio particular, perto de casa, poderia voltar todos os dias, mas eu resolvi continuar lá, distante, só para agradá-la, sabia o quanto seria ruim para pagar, já que ela tinha tantas outras coisas, mas tudo o que ela fazia quando eu vinha visitá-la era reclamar e reclamar. Ela já disse coisas que me machucaram muito, mas eu sempre fingir não me importar, ainda lembro a maioria delas. Sei que não sou uma filha incrivel, que faço besteiras, muitas, até, mas foda-se, qual adolescente idiota e escroto não faz? Eu não sinto bem, de verdade, é como se eu estivesse doente, apodrecendo, não consigo mais me aproximar dela, é como se eu já esperasse pelo pior, eu estou isolada, eu só queria meus amigos, não suporto mais ficar presa dentro desse apartamento, mas não tenho forças pra sair, eu sei que não to bem, só to esperando alguém vir me ajudar, não consigo gritar por ajuda, eu quero voltar a ser aquela garota forte, quero voltar a rir, eu não o que está havendo, mas preciso sair disso, preciso sair de casa, sinto como se tivesse uma nuvem negra em cima de nós duas, como se houvesse um abismo a afastando de mim, e ele só aumenta, não seria possível voltar a ter um bom relacionamento com ela, porque nós nunca tivemos, isso está me matando, ela está me matando.
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#day18
"My Sassy Girl" 2008
Eu estou ouvindo uma música um pouco, ok, muito melancólica, é a música do meu filme favorito no mundo inteiro, e realmente não explicar, mas eu sempre fico horrível quando eu a escuto, é como se eu perdesse o ar, e meu estômago fosse invadido não apenas por borboletas, mas todo tipo de inseto existente no mundo, e sei que pode parecer nojento, mas essa é a verdade, eu não consigo respirar, muito menos pensar em algo por mais de cinco segundos, nunca entendi o que essa sensação significava, ou se era boa, ou ruim, é só que meus olhos se enchem de água, meu nariz envermelhece, e eu fico nervosa e sinto um vazio sem tamanho, um medo de perder alguma coisa que não sei o que é, é como se eu amasse alguém, como se fosse todos os sentimentos de se está apaixonada, só que não há ninguém, e é isso que me faz sentir ainda pior, porque parece que nunca há alguém, às vezes é como se nenhum amor fosse dar certo comigo, eu estou me arriscando, mas ele parece nunca chegar, ou às vezes parece que ele se foi, talvez ano passado, seria possível? Mas eu não o deixei, ele me deixou, talvez eu e o amor não tenhamos nos dado bem. Ok, eu não me arrisquei, nunca disse a ele que me importava, o quanto gostava dele, eu tive medo, medo dele me deixar, e foi o que aconteceu, e não importa se eu o tivesse contado ou não, porque ele me deixaria do mesmo jeito, porque ele nunca gostou de mim, nunca. E é por isso que eu estou tentando de novo, pode ser que não dê certo, pode ser que termine logo, ou que nem chegue a começar, mas vou me arriscar, pelo menos dessa vez. Dizem que o amor é algo construtivo, que você não olha pra pessoa e puft, se apaixona por ela, então vou tentar construir o amor com ele.
P.S.: Essa música é como se fosse algo cortante, e eu só tenho vontade de chorar, e chorar, e chorar... Ouçam se precisarem muito colocar algo pra fora.
P.S.: Essa música é como se fosse algo cortante, e eu só tenho vontade de chorar, e chorar, e chorar... Ouçam se precisarem muito colocar algo pra fora.
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#day17 #2.0
Carpe Diem!
Eu estava cansada, sabe? Por isso que mudei, porque ninguém se importava quando era uma boa garota, quando eu fazia coisas certas, quando eu era uma menina da igreja, porque as pessoas sempre achavam algo para reclamar, sempre achavam um defeito aqui e outro ali, eu cansei de tentar ser uma pessoa boa, uma pessoa melhor, ninguém se importa com isso, elas não estão nem ai. As pessoas reclamam de como eu sou agora, e elas não sabem metade das coisas que eu fiz, ou farei, mas estou orgulhosa de mim, não aguentava mais tentar ser alguém que eu não sou, ter que reprimir minhas vontades com medo do que meus pais ou meus parentes iriam achar, eles são tão ridículos, todos eles, chega a me dar nojo, eles me dão nojo, eles são como o resto, e eu odeio a mesmice. Quando eu pensava no que contaria a meus filhos, ou netos no futuro, puta que pariu, o que eu vivi nessa vida? Quantas besteiras eu já tinha feito, quantas coisas erradas, quantas aventuras teria para contá-los? Minha história sempre fora compostas de coisas estúpidas, eu não saia de casa, não tinha amigos ou primos, então eu ficava sozinha, brincando comigo mesma, que graça teria contar isso a minhas crias? Eu precisava me arriscar, fazer coisas insanas, errar, precisava de cicatrizes, estava cansada de agir como uma filhinha de mamãe patricinha que adorava coisas superficiais, aquela não era eu, a verdadeira eu, é quem sou agora, e estou feliz em finalmente tê-la colocado pra fora. Eu gosto de coisas erradas, de loucuras, o quão idiota isso é? Espero que menos do que viver naquele mundinho parado no qual eu vivia. Descobri que meu lugar não é debaixo das assas dos meus pais, descobri que sou livre demais pra ser dependente, que posso ser auto suficiente, e isso é tudo. Preciso fazer o que eu tenho vontade, sabe? Sair escondido, beber até cair, fazer umas tattoos, passei muito tempo da minha vida me preocupando com ser a filha perfeita, a aluna perfeita, o orgulho da família, mas nada disso era o que eu queria, era o que eles queriam, e nada nunca estava bom, sempre faltava algo, e então eu surtei, aquilo realmente não era pra mim. E hoje, tive a certeza disso, estou sem aula por causa dessa greve maldita, então tive que voltar para a casa dos meus pais, e eu estou enlouquecendo, é como se eu estivesse numa bolha minúscula, estou me sentindo sufocada, e estou! Eles falam sem parar e brigam comigo o tempo todo, me fazem desejar cada vez mais que as aulas retornem para que eu possa ir embora daqui, pra longe, ok, não tão longe, mas digamos que longe o bastante. São tão hipócritas, quando eu estou lá, agem como se me quisessem por perto, e então, quando eu estou aqui, mal os vejo, ok, eu passo muito tempo no celular, mas eles poderiam me adular um pouco, quem não gosta de ser adulado de vez em quando? Nesse caso, saudade é bom. Por isso, não vejo a hora de começar a faculdade, sabe? Acho que seria uma ótima oportunidade para sair de casa, estou contado com isso, talvez em outra cidade, ou outro estado, quem sabe. Mas é agonizante, sabe, eles são tão cretinos às vezes, se importam tanto com as aparências, com o que os outros vão pensar se eu sair com tal roupa, ou se me verem abraçada com alguma amiga, o quanto ridículo isso é? Garanto que muito. Às vezes eles me envergonham... Mas eu não me importo com o que eles falam, tenho o gênio forte o bastante para não deixá-los encher minha cabeça com essas baboseiras do século passado, do certo e do errado, eu não importo, realmente não me importo, nem um pouco, fodam-se! Então tudo que eu queria agora era está viajando por aí, sem um rumo exato, e uns dois amigos de companhia, talvez isso preenchesse esse vazio dentro de mim que nem eu sei o que é. Eu estava um pouco triste e decepcionada antes de escrever isso, ou até metade dele, mas termino dizendo que o que sinto agora é orgulho de mim, por saber viver.
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#day17