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Carpe Diem!

Eu estava cansada, sabe? Por isso que mudei, porque ninguém se importava quando era uma boa garota, quando eu fazia coisas certas, quando eu era uma menina da igreja, porque as pessoas sempre achavam algo para reclamar, sempre achavam um defeito aqui e outro ali, eu cansei de tentar ser uma pessoa boa, uma pessoa melhor, ninguém se importa com isso, elas não estão nem ai. As pessoas reclamam de como eu sou agora, e elas não sabem metade das coisas que eu fiz, ou farei, mas estou orgulhosa de mim, não aguentava mais tentar ser alguém que eu não sou, ter que reprimir minhas vontades com medo do que meus pais ou meus parentes iriam achar, eles são tão ridículos, todos eles, chega a me dar nojo, eles me dão nojo, eles são como o resto, e eu odeio a mesmice. Quando eu pensava no que contaria a meus filhos, ou netos no futuro, puta que pariu, o que eu vivi nessa vida? Quantas besteiras eu já tinha feito, quantas coisas erradas, quantas aventuras teria para contá-los? Minha história sempre fora compostas de coisas estúpidas, eu não saia de casa, não tinha amigos ou primos, então eu ficava sozinha, brincando comigo mesma, que graça teria contar isso a minhas crias? Eu precisava me arriscar, fazer coisas insanas, errar, precisava de cicatrizes, estava cansada de agir como uma filhinha de mamãe patricinha que adorava coisas superficiais, aquela não era eu, a verdadeira eu, é quem sou agora, e estou feliz em finalmente tê-la colocado pra fora. Eu gosto de coisas erradas, de loucuras, o quão idiota isso é? Espero que menos do que viver naquele mundinho parado no qual eu vivia. Descobri que meu lugar não é debaixo das assas dos meus pais, descobri que sou livre demais pra ser dependente, que posso ser auto suficiente, e isso é tudo. Preciso fazer o que eu tenho vontade, sabe? Sair escondido, beber até cair, fazer umas tattoos, passei muito tempo da minha vida me preocupando com ser a filha perfeita, a aluna perfeita, o orgulho da família, mas nada disso era o que eu queria, era o que eles queriam, e nada nunca estava bom, sempre faltava algo, e então eu surtei, aquilo realmente não era pra mim. E hoje, tive a certeza disso, estou sem aula por causa dessa greve maldita, então tive que voltar para a casa dos meus pais, e eu estou enlouquecendo, é como se eu estivesse numa bolha minúscula, estou me sentindo sufocada, e estou! Eles falam sem parar e brigam comigo o tempo todo, me fazem desejar cada vez mais que as aulas retornem para que eu possa ir embora daqui, pra longe, ok, não tão longe, mas digamos que longe o bastante. São tão hipócritas, quando eu estou lá, agem como se me quisessem por perto, e então, quando eu estou aqui, mal os vejo, ok, eu passo muito tempo no celular, mas eles poderiam me adular um pouco, quem não gosta de ser adulado de vez em quando? Nesse caso, saudade é bom. Por isso, não vejo a hora de começar a faculdade, sabe? Acho que seria uma ótima oportunidade para sair de casa, estou contado com isso, talvez em outra cidade, ou outro estado, quem sabe. Mas é agonizante, sabe, eles são tão cretinos às vezes, se importam tanto com as aparências, com o que os outros vão pensar se eu sair com tal roupa, ou se me verem abraçada com alguma amiga, o quanto ridículo isso é? Garanto que muito. Às vezes eles me envergonham... Mas eu não me importo com o que eles falam, tenho o gênio forte o bastante para não deixá-los encher minha cabeça com essas baboseiras do século passado, do certo e do errado, eu não importo, realmente não me importo, nem um pouco, fodam-se! Então tudo que eu queria agora era está viajando por aí, sem um rumo exato, e uns dois amigos de companhia, talvez isso preenchesse esse vazio dentro de mim que nem eu sei o que é. Eu estava um pouco triste e decepcionada antes de escrever isso, ou até metade dele, mas termino dizendo que o que sinto agora é orgulho de mim, por saber viver.

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